Trilha App - Ciclismo com Amigos

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UX/UI

Trilha é um conceito de aplicativo para ciclistas que combina descoberta e planejamento de trilhas e conexão entre usuários para uma experiência de pedalar personalizada.


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Date

Jul. 2025

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Desafio

O ponto de partida do case foi um desafio claro: criar um construtor de rotas voltado para ciclistas que buscavam experiências planejadas ou aventuras espontâneas. A proposta exigia que o aplicativo permitisse encontrar trilhas conforme preferências como tipo de paisagem, extensão do percurso, duração total, nível de dificuldade, entre outros critérios relevantes.

Para lapidar essa definição inicial e enxergar o desafio com mais amplitude, utilizei a técnica How Might We, que ajudou a transformar a proposta em uma questão detalhada: como criar uma solução capaz de facilitar o planejamento de rotas sob medida, levando em conta preferências pessoais, ao mesmo tempo em que se proporciona uma experiência fluida e agradável em um ambiente totalmente mobile?

Metodologia

Com o problema moldado, passei para a definição da metodologia que guiaria cada etapa do projeto. Considerando o prazo reduzido, optei pela metodologia Double Diamond, por ser estruturada, versátil e especialmente eficiente quando se deseja equilibrar exploração ampla do problema e entrega ágil de soluções.

A divisão clássica em quatro fases (descobrir, definir, desenvolver e entregar) permite organizar o processo de forma natural e lógica, criando espaço tanto para a investigação quanto para a criação.

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Imersão

A fase de descoberta é fundamental para um bom projeto. Antes de rabiscar qualquer tela, eu precisava entender quem são os ciclistas, o que buscam, o que sentem falta nas ferramentas atuais e como a rotina de ciclismo se encaixa na vida de cada pessoa.

Esse mergulho inicial ocorreu por meio de duas abordagens de pesquisa complementares. A primeira sendo a pesquisa direta com ciclistas e a segunda sendo uma pesquisa secundária, a desk research.

Pesquisa Secundária

A pesquisa secundária me permitiu reunir dados sobre o mercado, comportamentos, tendências e tecnologias presentes no cenário do ciclismo contemporâneo.

Esse levantamento revelou um contexto interessante: o ciclismo, especialmente o de aventura e mountain bike, cresceu exponencialmente, impulsionado pela busca por bem-estar e atividades ao ar livre, um movimento que se intensificou após a pandemia. As pessoas estavam ansiosas para sair de casa e explorar o mundo novamente.

Também identifiquei um público diverso, desde ciclistas casuais que pedalam por lazer até aventureiros em busca de desafios, além de grupos de amigos que veem o ciclismo como uma atividade social e comunitária, como forma de pertencimento.

Essa etapa também incluiu a análise de aplicativos que já dominavam o mercado e que serviam de referência para o comportamento dos usuários, como visto abaixo:

  1. Strava: o líder de mercado, focado em competição e análise de performance. É excelente para registrar atividades, mas não é exclusivo para ciclistas e oferece pouca personalização na criação de rotas de aventura. O Strava demonstra grande força na comunidade esportiva e na competição saudável, mas carece de ferramentas mais aprofundadas de personalização de rotas, além de possuir grande quantidade de features, o que prejudica a sua estética e intuitividade.
  2. Komoot: se destacando na proposta de exploração de trilhas, oferecendo recursos avançados como mapas offline, mas também apresentando problemas de usabilidade. Mais focado em aventura e planejamento de trilhas, com ótimos recursos como mapas offline. Sua interface, no entanto, pode ser menos intuitiva e suas funcionalidades sociais são menos desenvolvidas.
  3. Google Maps: amplamente utilizado pela sua familiaridade e dados em tempo real, mas carece de funcionalidades específicas para ciclistas de trilha, como detalhes sobre o tipo de terreno e monitoramento de desempenho. E, por último, o Google Maps, apesar de extremamente familiar ao público, mostrou limitações quando o assunto envolvia trilhas personalizadas ou experiências de aventura em comunidade.

Dessa análise cruzada, surgiu uma oportunidade clara: criar uma solução que combinasse personalização, comunidade e simplicidade, sem perder autenticidade.

Pesquisa com Usuários

A segunda etapa da descoberta envolveu a pesquisa direta com usuários por meio de formulários. O objetivo aqui foi validar as hipóteses da desk research e capturar comportamentos reais, especialmente o que influencia a escolha de uma rota e onde surgem fricções durante o ciclismo. Os dados confirmaram que a maior parte dos ciclistas prefere planejar as rotas com antecedência, mas quer flexibilidade para ajustar o trajeto conforme o contexto do dia.

Ficou claro que fatores como distância, duração, tipo de terreno e desempenho pesavam significativamente na decisão sobre qual rota seguir. Também surgiram queixas recorrentes sobre a falta de filtros específicos nos aplicativos existentes, além da dificuldade de alinhar o mapa com o percurso real durante o ciclismo.

Os resultados:

  • Planejamento é essencial: 60% dos participantes planejam suas rotas com antecedência.
  • Foco no casual: 80% se consideram iniciantes ou intermediários, usando a bicicleta casualmente, de 1 a 2 vezes por semana.
  • A união faz a força: uma grande parte pedala com amigos.
  • Prioridades de trilhas: ao escolher uma rota, os fatores mais importantes são distância, duração, tipo de terreno e desempenho.
  • Principais dores: os problemas mais relatados foram a dificuldade de sincronia entre o mapa e a atividade real e a falta de filtros mais específicos para encontrar rotas que realmente atendessem às suas necessidades.

Definição

Com uma montanha de dados nas mãos, a segunda fase foi dedicada a sintetizar essas informações para definir o problema e o público-alvo.

Para isso, criei a persona João, um ciclista intermediário de 28 anos, apaixonado por natureza e por se desconectar da rotina. João representa o perfil ideal para orientar as decisões do projeto e trazer clareza sobre suas expectativas: quer simplicidade, fluidez, integração entre ferramentas e liberdade para explorar novos lugares sem complicações.

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A jornada do usuário construída a partir dessa persona ajudou a visualizar a experiência completa, do planejamento até depois da trilha. Ao mapear pontos de atrito, eu consegui transformar reclamações recorrentes em oportunidades específicas de produto, como filtros mais precisos e uma navegação mais confiável durante a atividade.

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Essas informações foram então traduzidas em Jobs to be Done, para organizar o projeto não apenas em funções, mas em motivações humanas: facilitar a escolha de rotas personalizadas, acompanhar a própria evolução e manter viva a conexão com os amigos e com a comunidade.

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Desenvolvimento

Com todas essas definições em mãos, iniciei a fase de desenvolvimento. Esse momento foi focado em estruturar a arquitetura da informação, organizar cada caminho que o usuário poderia seguir no aplicativo e rabiscar as primeiras versões de interface.

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Os sketches, feitos sem compromisso estético, foram essenciais para testar rapidamente diferentes soluções antes de partir para uma proposta visual definitiva.

Com isso, desenhei também a identidade visual: uma marca simples e intuitiva, com um símbolo inspirado nos aros de uma bicicleta e com uma cor verde que remete ao contato com a natureza. Para complementar, optei por um tom mais vibrante que remetesse à autenticidade e modernismo da minha proposta visual.

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Vindo de uma área com foco em Design Systems, para mim é fundamental criar componentes reutilizáveis. O guia de estilo foi construído como um recurso essencial para garantir consistência visual e agilidade na criação das telas. Criei mais de vinte componentes reutilizáveis, como botões, ícones, campos de texto e cards, assegurando que todo o projeto fosse consistente.

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Solução

Após todo o processo, nasceu o Trilha: uma plataforma que unifica planejamento, navegação, monitoramento e comunidade em um só lugar, com foco em usabilidade e uma experiência estética intuitiva e agradável.

  • Explorar e planejar com liberdade: a tela inicial já apresenta um mapa (com a robustez do Google Maps por trás) e recomendações de trilhas próximas e populares. O usuário pode criar suas próprias rotas do zero, editar rotas existentes ou salvar favoritas.
  • Filtros que entendem você: uma das dores principais era a falta de filtros específicos. No Trilha, o João pode filtrar rotas por duração, dificuldade, distância e até por tipo de paisagem (floresta, urbano, rodovia). Isso transforma a escolha de rota em uma decisão guiada por intenção, não por tentativa e erro.
  • Comunidade integrada: a aba “Amigos” transforma a experiência solitária em social. Os usuários podem seguir uns aos outros, criar grupos, compartilhar fotos, trilhas e conquistas, fomentando uma comunidade ativa no próprio aplicativo.
  • Estatísticas para motivar: a seção de perfil oferece um histórico completo do progresso do ciclista, com estatísticas semanais, mensais e anuais. É possível ver a quilometragem total, o tempo de pedalada e as fotos de cada trilha, criando uma sensação de conquista e evolução.
  • Modo maratona e integração: para os dias de trilha sem destino, o “Modo Maratona” permite registrar a atividade sem um percurso pré-definido. O aplicativo também se integra com wearables, como relógios inteligentes, para uma experiência ainda mais conectada.

Entre as escolhas de escopo, priorizei os elementos que atacavam as dores mais citadas na pesquisa, filtros e navegação confiável, antes de expandir para recursos mais complexos. Isso ajudou a manter o produto enxuto e coerente com o prazo do desafio, sem perder o que realmente tornaria a experiência superior aos apps de referência.

Conclusão

Esse projeto foi um exercício intenso de design e me mostrou como um processo bem estruturado pode levar a uma solução robusta mesmo em um curto espaço de tempo. O resultado é um aplicativo que não apenas resolve as dores funcionais dos ciclistas, mas também se conecta com suas motivações emocionais: a aventura, a superação e o desejo de pertencer a uma comunidade.

Este case me mostrou que pesquisa aprofundada e empatia pelo usuário são pilares para a criação de produtos que as pessoas realmente amam usar e que seguir objetivos planejados desde o início pode facilitar a construção de um projeto escalável a longo prazo.