Hora de Cuidar - Plataforma de Saúde

UX/UI

SaaS

Mobile

Hora de Cuidar é um sistema web/mobile que conecta pacientes e clínicas em uma experiência integrada para o acompanhamento de tratamentos médicos.


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Date

Jul. 2022

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Contexto

O Hora de Cuidar é um ecossistema digital desenvolvido com o objetivo de reduzir a fragmentação da jornada de saúde entre pacientes e clínicas. A proposta integra um aplicativo mobile, voltado para o acompanhamento diário do paciente, e um sistema web, destinado à gestão clínica e operacional.

A solução centraliza informações importantes da jornada de saúde, como consultas, medicamentos, exames e histórico médico, criando uma experiência mais organizada e contínua. Dessa forma, buscamos melhorar não apenas o acesso à informação, mas também a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde.

O projeto foi desenvolvido ao longo de quatro meses na disciplina de Projeto Integrado IV da Universidade Federal do Ceará. Ele surgiu com o objetivo de criar uma solução com potencial de evolução para o Programa Centelha, unindo pesquisa, design e viabilidade de produto.

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Desafio

Mesmo com a ampla adoção de smartphones e ferramentas digitais, a jornada de saúde ainda é marcada por uma forte fragmentação de informações e processos. Pacientes e clínicas frequentemente utilizam múltiplos canais desconectados para gerenciar aspectos básicos do cuidado.

Do lado dos pacientes, isso se traduz em dificuldades para organizar consultas, acompanhar medicamentos e manter exames e documentos centralizados. Já do lado das clínicas, há uma dependência de processos manuais para controle de agenda, acompanhamento de tratamentos e comunicação com pacientes.

Como consequência direta desse cenário, observamos problemas recorrentes que impactam a qualidade do cuidado e a eficiência operacional:

  • informações dispersas entre aplicativos, papéis e mensagens;
  • baixa adesão dos pacientes aos tratamentos prescritos;
  • retrabalho constante nas rotinas administrativas das clínicas;
  • remarcações frequentes de consultas por falhas de organização;
  • dificuldade em acompanhar a evolução clínica dos pacientes ao longo do tempo.

Diante disso, o desafio do projeto foi criar uma solução capaz de simplificar essa jornada de forma integrada, sem aumentar a complexidade operacional para clínicas ou sobrecarregar o paciente com novas ferramentas.

Planejamento e pesquisa.

Metodologia

Para estruturar o projeto, utilizamos a clássica metodologia de Design Thinking, que nos ajudou a organizar o processo orientado à solução de problemas reais.

Seguimos as etapas de descoberta, definição, ideação, prototipagem e testes, alternando entre pesquisa, síntese e validação ao longo do projeto. Esse processo foi usado para transformar dados dispersos em decisões mais claras e para garantir que as soluções propostas respondessem às dores identificadas na jornada de saúde.

A metodologia também nos permitiu trabalhar de forma iterativa. Em vez de partir diretamente para a interface, começamos entendendo o contexto, refinamos o problema, exploramos possibilidades de solução e validamos as escolhas com usuários antes de construir.

Pesquisa

Começamos a etapa de descoberta com uma pesquisa secundária usando fontes como IBGE e Google Acadêmico para entender melhor o contexto da saúde no Brasil e validar a relevância do problema. Depois, ouvimos dois médicos e dois atendentes responsáveis pela gestão das consultas e aplicamos um formulário quantitativo que recebeu oitenta respostas de usuários.

O formulário nos ajudou a confirmar comportamentos que já apareciam nas entrevistas, como a dificuldade de organizar consultas, o uso recorrente de automedicação e a tendência de buscar orientação com amigos ou na internet antes de procurar um profissional de saúde. O objetivo não era apenas coletar opiniões, mas identificar padrões de comportamento e entender onde a jornada realmente quebrava.

Para organizar o material, usamos a técnica de Nuggets, dividindo entrevistas e respostas em pequenas unidades de informação, agrupando por similaridade e classificando por temas. Esse processo ajudou a transformar dados dispersos em informações acionáveis e tornou mais clara a relação entre as dores identificadas e as oportunidades de solução.

A partir daí, conseguimos identificar dores recorrentes, necessidades e oportunidades que serviram de base para a criação das personas, das primeiras User Stories e da priorização dos requisitos em releases de desenvolvimento. Também realizamos benchmarking para entender como soluções semelhantes lidavam com esses problemas e onde poderíamos construir um diferencial competitivo.

Protótipos e produto.

Definição

A etapa de definição deixou claro que a operação da saúde ainda dependia fortemente de processos manuais. Os atendentes demonstraram interesse em acompanhar o uso dos medicamentos pelos pacientes, mas esse controle ainda era feito em cadernos. A comunicação acontecia principalmente pelo WhatsApp, o que tornava o processo pouco estruturado e difícil de escalar.

Nos consultórios, os prontuários continuavam sendo armazenados fisicamente e organizados em ordem alfabética. Os médicos mostraram interesse em manter um contato mais próximo com pacientes e familiares, desde que isso acontecesse de forma discreta e eficiente. Ao mesmo tempo, a pesquisa quantitativa trouxe outro ponto importante: apesar do alto uso de smartphones, muitos usuários negligenciavam a saúde, recorriam à automedicação em situações leves e buscavam orientação na internet antes de procurar um profissional.

Esses achados orientaram as decisões estratégicas do produto. Em vez de tentar resolver tudo ao mesmo tempo, priorizamos os pontos de maior impacto na jornada: organização da agenda, acompanhamento de medicamentos, centralização de documentos e comunicação mais clara entre clínica e paciente. Esses dados também serviram de base para a construção do Business Model Canvas e do Value Proposition Canvas, além da definição dos requisitos de negócio, das funcionalidades para clínicas e pacientes e dos mapas de conteúdo para os ambientes web e mobile.

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Idealização

Com os requisitos definidos, partimos para a ideação, desenhando os primeiros fluxos diretamente no papel. Essa etapa foi importante para reduzir a complexidade antes de entrar no digital, porque nos permitiu explorar como pacientes, médicos e atendentes se relacionariam no sistema e quais seriam os caminhos mais simples para cada perfil.

Em vez de começar pelas telas, investigamos primeiro a lógica da experiência. A partir dessas discussões, estruturamos os fluxos principais da solução e definimos a navegação, garantindo que a arquitetura de interação acompanhasse as necessidades identificadas.

Prototipação

Na prototipação, transformamos os fluxos em interfaces de alta fidelidade. Também desenvolvemos uma identidade visual própria para o projeto, garantindo consistência entre o sistema web usado pelas clínicas e o aplicativo voltado aos pacientes.

A decisão foi criar uma linguagem única, mas com prioridades diferentes em cada contexto: eficiência operacional no web e clareza no mobile. Todas as interfaces foram construídas com base nos requisitos levantados na pesquisa, buscando uma experiência simples, intuitiva e acessível para os diferentes perfis de usuários.

Testes

Os protótipos foram avaliados por pacientes, médicos e atendentes em testes de usabilidade. Durante os testes, analisamos critérios como estética, engajamento, carga cognitiva, utilidade, valor percebido e satisfação. O principal aprendizado foi que a interface precisava reduzir o esforço de leitura e tomada de decisão, especialmente em momentos de uso rápido.

A partir dos resultados, fizemos ajustes importantes na hierarquia visual. Aumentamos o contraste, destacamos campos de preenchimento e reorganizamos elementos para facilitar a leitura das telas. Também refinamos a navegação com base no comportamento observado, priorizando a área de lembretes na aplicação e introduzindo o cadastro de receitas por QR Code para agilizar o atendimento.

Outra melhoria relevante foi a inclusão de imagens ilustrativas para apoiar o paciente na administração correta dos medicamentos. Essa decisão ajudou a reduzir dúvidas sobre horários e formas de uso, tornando a experiência mais clara e segura para quem precisava seguir o tratamento no dia a dia.

Solução

O Hora de Cuidar consolida-se por meio de uma solução híbrida e complementar. Desenvolvemos dois ambientes distintos, mas totalmente integrados: um sistema web robusto para a gestão clínica e um aplicativo intuitivo voltado ao paciente.

O aplicativo de autogestão coloca o paciente no centro do cuidado. Com foco em autonomia e segurança, a interface permite que o usuário gerencie horários de medicamentos, acesse históricos de exames e comunique-se diretamente com a clínica, centralizando toda a sua saúde em um só lugar.

Para o ecossistema das clínicas, o sistema web oferece uma visão macro da jornada do paciente. Médicos e atendentes ganham eficiência com ferramentas de prontuário digital, agendamento ágil e integração de resultados, otimizando o fluxo de trabalho e eliminando o retrabalho com processos manuais.

Nosso diferencial competitivo reside na inovação aliada à humanização do acompanhamento. Operamos sob um modelo de negócio B2B, onde o valor gerado para a clínica em fidelização e eficiência reflete diretamente na experiência do paciente, criando uma relação mais segura, atenciosa e contínua entre ambos.

Conclusão

O projeto foi aprovado na disciplina e representou o maior desafio de design que nossa equipe enfrentou durante a graduação. Mais do que entregar uma solução digital, ele aumentou nosso aprendizado sobre como decisões de UX e Product Design podem impactar tanto a operação quanto a experiência das pessoas em um contexto sensível como a saúde.

O resultado foi um sistema capaz de organizar processos, melhorar a comunicação entre pacientes e clínicas e construir uma experiência de cuidado mais segura e centrada nas pessoas.